segunda-feira, 9 de março de 2026

Jo 9,1-41 - Jesus é luz - Quarto Domingo da Quaresma



Estamos no 4º domingo da Quaresma, 
 Domingo Laetare, quando contemplamos uma clara verdade: JESUS É LUZ

Vamos fazer esta descoberta passo a passo com Jesus,
em Jo 9,1a41
Vamos nos preparando, nos reunindo numa grande ciranda  de fé.

E rezamos juntos:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Espírito Santo
que procede do Pai e do Filho, tu estás em mim, falas em mim,
rezas em mim, ages em mim.
Ensina-me a fazer espaço à tua Palavra, à tua oração,
à tua ação em mim para que eu possa conhecer
o mistério da vontade do Pai. Amém.

Pedimos a graça de nossa vida ser iluminada para  iluminar outras pessoas.

Lemos, atentamente, o texto: João 9,1a41, e observamos pessoas, palavras, relações, lugares.

Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo,  ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. Os discípulos perguntaram a Jesus: “Mestre, quem pecou para que nascesse cego: ele ou os seus pais?”  Jesus respondeu: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas isso serve para que as obras de Deus se manifestem nele.  É necessário que nós realizemos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia. Vem a noite, em que ninguém pode trabalhar.  Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo”.  Dito isso, Jesus cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego.  E disse-lhe: “Vai lavar-te na piscina de Siloé” (que quer dizer “Enviado”). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando. Os vizinhos e os que costumavam ver o cego – pois ele era mendigo – diziam: “Não é aquele que ficava pedindo esmola?”  Uns diziam: “Sim, é ele!” Outros afirmavam: “Não é ele, mas alguém parecido com ele”. Ele, porém, dizia: “Sou eu mesmo!”  Então lhe perguntaram: “Como é que se abriram os teus olhos?”  Ele respondeu: “Aquele homem chamado Jesus fez lama, colocou-a nos meus olhos e disse-me: ‘Vai a Siloé e lava-te’. Então fui, lavei-me e comecei a ver”.  Perguntaram-lhe: “Onde está ele?” Respondeu: “Não sei”.  Levaram então aos fariseus o homem que tinha sido cego. Ora, era sábado o dia em que Jesus tinha feito lama e aberto os olhos do cego. Novamente, então, lhe perguntaram os fariseus como tinha recuperado a vista. Respondeu-lhes: “Colocou lama sobre meus olhos, fui lavar-me e agora vejo!”  Disseram, então, alguns dos fariseus: “Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado”. Mas outros diziam: “Como pode um pecador fazer tais sinais?”  E havia divergência entre eles. Perguntaram outra vez ao cego: “E tu, que dizes daquele que te abriu os olhos?” Respondeu: “É um profeta”. Então os judeus não acreditaram que ele tinha sido cego e que tinha recuperado a vista. Chamaram os pais dele e perguntaram-lhes: “Este é o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como é que ele agora está enxergando?” Os seus pais disseram: “Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego. Como agora está enxergando, isso não sabemos. E quem lhe abriu os olhos também não sabemos. Interrogai-o, ele é maior de idade, ele pode falar por si mesmo”. Os seus pais disseram isso porque tinham medo das autoridades judaicas. De fato, os judeus já tinham combinado expulsar da comunidade quem declarasse que Jesus era o Messias.  Foi por isso que seus pais disseram: “É maior de idade. Interrogai-o a ele”.  Então, os judeus chamaram de novo o homem que tinha sido cego. Disseram-lhe: “Dá glória a Deus! Nós sabemos que esse homem é um pecador”.  Então ele respondeu: “Se ele é pecador, não sei. Só sei que eu era cego e agora vejo”.  Perguntaram-lhe então: “Que é que ele te fez? Como te abriu os olhos?”  Respondeu ele: “Eu já vos disse, e não escutastes. Por que quereis ouvir de novo? Por acaso quereis tornar-vos discípulos dele?”  Então, insultaram-no, dizendo: “Tu, sim, és discípulo dele! Nós somos discípulos de Moisés.  Nós sabemos que Deus falou a Moisés, mas esse não sabemos de onde é”.  Respondeu-lhes o homem: “Espantoso! Vós não sabeis de onde ele é? No entanto, ele abriu-me os olhos!  Sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aquele que é piedoso e que faz a sua vontade. Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. Se esse homem não viesse de Deus, não poderia fazer nada”.  Os fariseus disseram-lhe: “Tu nasceste todo em pecado e estás nos ensinando?” E expulsaram-no da comunidade.  Jesus soube que o tinham expulsado. Encontrando-o, perguntou-lhe: “Acreditas no Filho do Homem?”  Respondeu ele: “Quem é, Senhor, para que eu creia nele?”  Jesus disse: “Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo”. Exclamou ele: “Eu creio, Senhor!” E prostrou-se diante de Jesus. Então, Jesus disse: “Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem vejam e os que veem se tornem cegos”.  Alguns fariseus, que estavam com ele, ouviram isso e lhe disseram: “Porventura também nós somos cegos?”  Respondeu-lhes Jesus: “Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis ‘nós vemos’, o vosso pecado permanece”. 

Compreendendo o texto
Jesus esclarece aos discípulos que doença não é sinônimo de pecado. E diz que isto aconteceu - a cegueira - para que se manifestassem nele as obras de Deus. Jesus curou o cego com o barro que fez com saliva e terra. O cego que agora passa a ver passa por inúmeros confrontos nos quais vai dando testemunho. Primeiro ele diz que Jesus é um homem, depois diz que é um profeta, depois, Senhor! O cego sabe como averiguar de onde vem Jesus. No diálogo pergunta "quem é o Senhor?" E Jesus responde de forma que o cego que agora vê, faz um profundo ato de fé: "Eu creio, Senhor!"

Meditação (Caminho) O que o texto diz para nós, hoje? 
Meditando com a Igreja
Os bispos, em Aparecida, disseram:
"Conhecer a Jesus Cristo pela fé é nossa alegria; segui-lo é uma graça, e transmitir este tesouro aos demais é uma tarefa que o Senhor, ao nos chamar e nos eleger, nos confiou. Com os olhos iluminados pela luz de Jesus Cristo ressuscitado podemos e queremos contemplar o mundo, a história, os nossos povos da América Latina e do Caribe e cada um de seus habitantes." (DAp 18) 

  
Oração (Vida)  
O que o texto me leva a dizer a Deus?

Rezemos com toda a Igreja:   

Oração CF 2026
Deus, nosso Pai,
em Jesus, vosso Filho, viestes morar entre nós
e nos ensinastes o valor da dignidade humana.

Nós vos agradecemos por todas as pessoas e grupos
que, sob o impulso do Espírito Santo,
se empenham em favor da moradia digna para todos.

Nós vos suplicamos:
dai-nos a graça da conversão,
para ajudarmos a construir uma sociedade
mais justa e fraterna,
com terra, teto e trabalho para todas as pessoas,
a fim de, um dia, habitarmos convosco
a casa do Céu. Amém.


Contemplação (Vida e Missão)
Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Meu novo olhar é iluminado pela Luz que é Jesus. E eu quero também ser luz para outras Para recebermos esta graça, acolhamos a
 

BÊNÇÃO

Senhor, nosso Deus, concedei-nos nesta quaresma a graça da conversão e da reconciliação por meio da oração, da penitencia e da caridade. Dai-nos a graça de aprender convosco a  ser livres para amar, acolhendo a vida como dom e compromisso, valorizando e defendendo a vida, especialmente onde ela se encontra mais fragilizada e sofrida. Isto vos pedimos, em nome do Pai, e do Filho e do Espirito Santo. Amém.





Lc 4,24-30 - Jesus na sinagoga de Nazaré e entre nós

LEITURA ORANTE



Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Creio, Senhor Jesus, que sou parte de seu Corpo,
membro da Igreja viva.
Trindade Santíssima
- Pai, Filho, Espírito Santo -
presente e atuante na Igreja e na profundidade do meu ser.
Eu vos adoro, amo e agradeço. 

1. Leitura (Verdade)
- Vejamos o que nos diz agora, o texto Lc 4,24-30

Jesus, vindo a Nazaré, disse ao povo na sinagoga: 24“Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. 27 E no tempo do profeta Eliseu havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio”. 28Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até o alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. 30Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.

As palavras de Jesus na sinagoga de Nazaré nos questionam também hoje.
Os ouvintes de Jesus entenderam que teriam que mudar, se transformar. Eles estavam tranquilos até então. Na verdade, os moradores de Nazaré estavam fechados  e nos oferecem uma  imagem daquilo que com frequência, também nós vivemos: fazemos julgamentos, somos preconceituosos, intolerantes a quem pensa diferente, sente e vive de maneira diferente.
As palavras de Jesus na sinagoga de Nazaré nos questionam também hoje. Para 

2. Meditação(Caminho)
- O que a Palavra diz para nós?
que vivemos? Para quem vivemos? Nossa maneira de viver é provocativa ou inspiradora?
A incredulidade provocou o ensinamento de Jesus. Este, por sua vez, incomodou, quando disse: "Eu afirmo a vocês que isto é verdade: nenhum profeta é bem recebido na sua própria terra". E ali, em sua terra natal, é rejeitado. Inclusive, é expulso da cidade e tentam matá-lo.
Infelizmente, como no tempo de Jesus, também entre nós, existem estas atitudes ásperas de julgamento, indiferença, preconceito e intolerância.
Hoje, encontramos atitudes de soberba disfarçada de verdade, o conservadorismo farisaico que provoca distâncias, o medo camuflado de firmeza, as inseguranças, julgamentos   alimentando divisões. Estas atitudes nunca deixam espaço para o novo, o "aggiornamento" (atualização) como dizia São João XXIII. A renovação torna-se impossível. Nesses ambientes  prevalecem o fundamentalismo, o moralismo, o legalismo... Nem o Espírito Santo tem espaço para atuar e inspirar "palavras de vida".
Jesus foi deletado da sua comunidade porque quis pensar e agir de maneira diferente. Seu anúncio  e suas opções rompiam com os esquemas mentais arcaicos e petrificados, enrijecidos. A rejeição pelos conterrâneos, que deveriam acolhê-lo por primeiro, fez com que Jesus se dirigisse a outras pessoas que queriam ouvi-lo e viver sua proposta. Uma pergunta que podemos nos fazer: Estamos entre os conterrâneos de Jesus ou entre as "outras pessoas"?

O papa Francisco falava de um mundanismo espiritual na Evangelii gaudium:
"O mundanismo espiritual, que se esconde por detrás de aparências de religiosidade e até mesmo de amor à Igreja, é buscar, em vez da glória do Senhor, a glória humana e o bem-estar pessoal." (EG 93).

É uma tremenda corrupção, com aparências de bem. Devemos evitá-lo, pondo a Igreja em movimento de saída de si mesma, de missão centrada em Jesus Cristo, de entrega aos pobres. (EG 97)

3. Oração (Vida)
- O que a Palavra nos leva a dizer a Deus?
Façamo-nos agora, presentes na sinagoga de Nazaré. Deixemo-nos envolver pela presença de Jesus.
Rezemos:

Deus, nosso Pai, fonte da vida e princípio do bem viver,
criastes o ser humano e lhe confiastes o mundo como um jardim a ser cultivado com amor.

Dai-nos um coração acolhedor para assumir a vida como dom e compromisso.

Abri nossos olhos para ver as necessidades dos nossos irmãos e irmãs,
sobretudo dos mais pobres e marginalizados.

Ensinai-nos a sentir verdadeira compaixão expressa no cuidado fraterno,
próprio de quem reconhece no próximo o rosto do vosso Filho.

Inspirai-nos palavras e ações para sermos construtores de uma nova sociedade,
reconciliada no amor.

4. Contemplação(Vida/ Missão)
- Qual o nosso novo olhar a partir da Palavra?
Hoje, na Sinagoga, com Jesus, temos o coração aberto ao verdadeiro amor, abraçamos a proposta de Jesus , e para sermos fieis, recebemos  a bênção.

Bênção 
Senhor, nosso Deus, concedei-nos nesta quaresma a graça da conversão e da reconciliação por meio da oração, da penitencia e da caridade. Dai-nos a graça de aprender convosco a  ser livres para amar, acolhendo a vida como dom e compromisso, valorizando e defendendo a vida, especialmente onde ela se encontra mais fragilizada e sofrida. Isto vos pedimos, em nome do Pai, e do Filho e do Espirito Santo. Amém.





sábado, 7 de março de 2026

Jo 4,5-42 - Deus tem sede do nosso amor - 3° DOMINGO da Quaresma - 8/02/2026

LEITURA ORANTE

Caminhemos passo a passo com Jesus.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Creio, Senhor Jesus, que sou parte de seu Corpo,
membro da Igreja viva.

Trindade Santíssima
- Pai, Filho, Espírito Santo -
presente e atuante na Igreja e na profundidade do meu ser.
Eu vos adoro, amo e agradeço. 

1. Leitura (Verdade) -
O que a Palavra diz?
O tempo quaresmal possibilita que redescubramos as profundezas de nós mesmos, as coisas ocultas no nosso interior, para melhor nos conhecermos , crescer e construir  novos modos de nos relacionar conosco mesmos, com os outros, com as criaturas e com Deus.
Este tempo revela por um lado, a realidade interna, machucada, ferida, obscurecida, e de outro, um potencial, um dinamismo, um "poço" de possibilidades, um conjunto de forças positivas. São como que dois rostos do nosso coração.

Assim, vamos ler atentamente o texto de hoje,  na minha Bíblia : Jo 4,5-42.
Chegou, pois, a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto da propriedade que Jacó tinha dado a seu filho José. Havia ali a fonte de Jacó. Jesus, cansado da viagem, sentou-se junto à fonte. Era por volta do meio-dia. Veio uma mulher da Samaria buscar água. Jesus lhe disse: "Dá-me de beber!" Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar algo para comer. A samaritana disse a Jesus: "Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?" De fato, os judeus não se relacionam com os samaritanos. Jesus respondeu: "Se conhecesses o dom de Deus e quem é aquele que te diz: 'Dá-me de beber', tu lhe pedirias, e ele te daria água viva". A mulher disse: "Senhor, não tens sequer um balde, e o poço é fundo; de onde tens essa água viva? Serás maior que nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual bebeu ele mesmo, como também seus filhos e seus animais?" Jesus respondeu: "Todo o que beber desta água, terá sede de novo; mas quem beber da água que eu darei, nunca mais terá sede, porque a água que eu darei se tornará nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna". A mulher disse então a Jesus: "Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem tenha de vir aqui tirar água"... Senhor, vejo que és um profeta! Os nossos pais adoraram sobre esta montanha, mas vós dizeis que em Jerusalém está o lugar em que se deve adorar". Jesus lhe respondeu: "Mulher, acredita-me: vem a hora em que nem nesta montanha, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. Estes são os adoradores que o Pai procura. Deus é Espírito, e os que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade". A mulher disse-lhe: "Eu sei que virá o Messias (isto é, o Cristo); quando ele vier, nos fará conhecer todas as coisas". Jesus lhe disse: "Sou eu, que estou falando contigo".... Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus por causa da palavra da mulher que testemunhava: "Ele me disse tudo o que eu fiz". Os samaritanos foram a ele e pediram que permanecesse com eles; e ele permaneceu lá dois dias. Muitos outros ainda creram por causa da palavra dele, e até disseram à mulher: "Já não é por causa daquilo que contaste que cremos, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo".

Refletindo
Neste  encontro,  Jesus conversa com uma mulher da Samaria. Ela própria se surpreende, porque os judeus não falavam com os samaritanos, a quem tratavam com hostilidade. O maravilhoso diálogo se desenvolve num jogo de pedir e recusar para chegar ao grandioso "dom de Deus". Falam de água do poço e da água viva, falam da vida familiar, falam da salvação, de culto, até que Jesus se apresenta claramente: "O Messias sou eu que estou falando contigo". Chegaram os discípulos e a mulher foi dizer aos seus vizinhos que encontrara o Messias. Com seu testemunho e também porque escutaram o Mestre, muitos creram nele.
Musica 2: Água viva - Pe. Zezinho, scj


2. Meditação (Caminho)
- O que a Palavra diz para nós?
Como são nossos diálogos com Jesus?

Jesus é a presença que permitiu à samaritana e permite a cada um de nós acesso à água viva, no próprio interior, como uma fonte que brota incessantemente.
O encontro com Jesus fez a samaritana viver uma verdadeira "páscoa" passando de uma vida rotineira e dispersa à responsabilidade de anunciar aos outros Aquele com quem se encontrou.. A samaritana  foi conduzida à sua interioridade por meio de um processo que a fez passar da dispersão à unificação, da exterioridade à unidade, da solidão à comunhão com os outros. 
Vamos agora, a partir do encontro de Jesus com a samaritana, nos abrir à nossa interioridade que pouco conhecemos, pois, nem sempre nos permitimos entrar nela e, inclusive poucas vezes temos alguma consciência de que ela existe, não é? E é a mais profunda, valiosa e autêntica expressão de nossa vida.
Nosso crescimento pessoal só é possível quando nos nutrimos da água do nosso próprio poço. Este poço é o lugar de nossos melhores recursos, dons, qualidades, potencialidades que dão sabor à nossa vida e nos transforma em pessoa para os demais.
Muitas vezes nossas sedes, desejos, sonhos não encontram canais amplos para jorrar. E então, se atrofiam, permanecendo reféns de uma triste mediocridade, matando nossa criatividade. Se não há paixão naquilo que fazemos tudo vira rotina, sem compromisso. Meditando
Os bispos, na Conferência de Aparecida, disseram:
"A admiração pela pessoa de Jesus, seu chamado e seu olhar de amor despertam uma resposta consciente e livre desde o mais íntimo do coração do discípulo, uma adesão de toda sua pessoa ao saber que Cristo o chama por seu nome (cf. Jo 10,3). É um “sim” que compromete radicalmente a liberdade do discípulo a se entregar a Jesus, Caminho, Verdade e Vida (cf. Jo 14,6). É uma resposta de amor a quem o amou primeiro “até o extremo” (cf. Jo 13,1). A resposta do discípulo amadurece neste amor de Jesus: “Te seguirei por onde quer que vás” (Lc 9,57)." (DAp 136).
3. Oração (Vida)
- O que a Palavra me leva a dizer a Deus? 

Bendito sejas, Senhor Jesus, 
Tu o Messias, o Salvador do mundo, 
porque nos revelas a água viva da tua presença 
e nos levas a adorar o Pai no Espírito e em verdade. 
Bendito sejas pela água do Batismo.
Faze com que tenhamos sempre  sede de Te conhecer!
 
4. Contemplação(Vida/ Missão)
- Qual o nosso novo olhar a partir da Palavra?
Nosso olhar de contemplação é motivado pelo nosso viver a fundo, não perdendo a capacidade de amar. de vibrar, de buscar a água que mata a sede. 

Bênção
Que Deus abençoe este meu propósito. 

Senhor, nosso Deus, concedei-nos nesta quaresma a graça da conversão e da reconciliação por meio da oração, da penitencia e da caridade. Dai-nos a graça de aprender convosco a  ser livres para amar, acolhendo a vida como dom e compromisso, valorizando e defendendo a vida, especialmente onde ela se encontra mais fragilizada e sofrida. Isto vos pedimos, em nome do Pai, e do Filho e do Espirito Santo. Amém.





Lc 15, 1-3.11-32 – O pai misericordioso

LEITURA ORANTE

Rembrant
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Creio, Senhor Jesus, que sou parte de seu Corpo,
membro da Igreja viva.
Trindade Santíssima

- Pai, Filho, Espírito Santo -
presente e atuante na Igreja 
e na profundidade do meu ser.
Eu vos adoro, amo e agradeço. 

Agora, ouçamos o que ele, o Senhor, nos diz


1. LEITURA (VERDADE)
Tomamos um primeiro contato com a Palavra de hoje, lendo Lc 15,1-3.11-32.

Naquele tempo, 1 os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. 2 Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus: “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. 3Então, Jesus contou-lhes esta parábola: 11“Um homem tinha dois filhos. 12O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. 13Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. 14Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar necessidade. 15Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. 16O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isso lhe davam. 17Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. 18Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti; 19já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’. 20Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos. 21O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. 22Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. 23Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. 24Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa. 25O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. 26Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. 27O criado respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’. 28Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. 29Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. 30Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’. 31Então o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. 32Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado'”

Refletindo
O filho que se vai é imagem da pessoa que se rebela, que se afasta de Deus. Perde-se, confunde-se, se machuca, sofre, perde o rumo, perde de vista aquele objetivo pelo qual vive. Uma certeza, porém, garante a recuperação da identidade original: o reencontro com o Pai.

2. Meditação(Caminho)
- O que a Palavra diz para mim?

A parábola do filho pródigo não é a história de um filho perdido, é a história de dois filhos perdidos. Um perdido fora de casa, e o outro perdido, dentro de casa, pelo ciúme. Os dois se afastaram do pai.
A volta do filho pródigo expressa em uma obra de arte de Rembrandt, resume a grande luta espiritual e as grandes escolhas que essa luta exige. Ao pintar não somente o filho mais jovem nos braços de seu pai, mas também o filho mais velho que pode aceitar ou não o amor que lhe é oferecido, Rembrandt nos apresenta o "drama interior do ser humano".
Em seu livro sobre a parábola, narrada por Lucas 15, e escrito depois de contemplar a obra de Rembrandt, Henri Nowen se coloca, como o filho pródigo, o mais moço, que esbanjou e perdeu tudo o que tinha, mas que não perdeu a consciência de que ele ainda era filho e tinha um Pai.
Depois disso, o autor se coloca na posição do filho mais velho, o que não saiu de casa, nem aceitou o retorno do irmão.
Nouwen se coloca também na posição do Pai e afirma que essa é a vocação de todos nós. Vocação a acolher, perdoar e se alegrar pela volta do que se perdera .

Jesus não fala nunca de um Deus indiferente ou distante, esquecido de suas criaturas ou interessado por sua honra, sua glória ou seus direitos.  No centro de sua experiência religiosa não nos encontramos com um Deus “legislador” procurando governar o mundo por meio de leis, nem com um Deus “justiceiro”, irritado ou irado diante dos pecados dos seus filhos e filhas. Para Jesus, Deus é compaixão, e a compaixão é o modo de ser de Deus, sua primeira reação diante de suas criaturas, sua maneira de ver a vida e de olhar às pessoas, o que move e dirige toda sua atuação. Deus sente para com suas criaturas o que uma mãe sente para com o filho que leva em seu ventre. Deus nos carrega em suas entranhas misericordiosas. 

A compreensão da “parábola do amor paterno-materno de Deus” pode ser para nós uma verdadeira iluminação. Ela revela não só o “coração compassivo” de Deus, mas também vemos, refletida nela, de maneira sublime, tudo o que devemos aprender sobre o “falso eu” e o nosso verdadeiro ser. Os três personagens representam diferentes aspectos de nós mesmos. (Comentários do Pe. Adroaldo, sj).

3. Oração (Vida)
O que a Palavra nos leva a dizer a Deus?
“Eu e o Pai somos Um”: é a melhor expressão de quem foi Jesus.

Você também é “Um com Deus”, mas talvez não tenha se inteirado disto; descubra-o e esta frase saltará do mais profundo do seu ser.

- Descubra o que há em você do irmão mais novo: deixar-se levar pelo hedonismo individualista, buscar o mais fácil, o mais cômodo, o que o corpo pede... Seu objetivo é satisfazer as exigências de seu falso “eu”.

- Descubra o que há em você de irmão mais velho: distante do coração do pai, fechado na queixa amarga e incapaz de expressar um gesto de acolhida.
 Descubra as marcas do Deus Pai/Mãe nas profundezas de seu ser: cheio de compaixão, festeiro, aberto à vida... 
E rezemos: 
Pai Nosso

Música: O viajante - Pe. Zezinho, scj

(Padre Giosy Cento | Versão: Padre Zezinho, scj)
Padre Zezinho, scj

O viajante
Eu tinha tanta fome de ir embora
Pra ver a vida como a vida era
Pra aquele teu conselho eu não liguei
E agora eu vejo quanto me enganei

Manda me um bilhete de regresso
Ou venha me buscar, não ando bem
Pensei que abandonar-te era progresso
Mas sem o teu amor não sou ninguém

Peguei a minha herança e fui embora
De todos os manjares eu provei
Não houve nada que eu não fiz lá fora
Mas nem por isso eu me realizei

Dinheiro, amores, drogas, malandragem
Eu tinha tudo isso e muito mais
Gastei a minha herança na viagem
Eu comprei a vida mas não tenho paz

Vi a vida como a vida era
E vi que a vida, às vezes, dói demais
Viver sem teu amor é uma quimera
Eu volto a ser teu filho pra ter paz

Aos poucos eu ensaio aquele abraço
Que um filho arrependido dá no pai
Na hora que eu voltar ao teu regaço
Eu juro que não saio nunca mais


4. Contemplação(Vida/ Missão)
- Qual o nosso novo olhar a partir da Palavra?
Vamos olhar o mundo, hoje, com o olhar amoroso e misericordioso do Pai, sempre pronto a acolher. E também com a disposição do filho reencontrado.
Para nos fortificar nesta mudança de vida e assumirmos a defesa da vida, recebamos a bênção.

Bênção  

Senhor, nosso Deus, concedei-nos nesta quaresma a graça da conversão e da reconciliação por meio da oração, da penitencia e da caridade. Dai-nos a graça de aprender convosco a  ser livres para amar, acolhendo a vida como dom e compromisso, valorizando e defendendo a vida, especialmente onde ela se encontra mais fragilizada e sofrida. Isto vos pedimos, em nome do Pai, e do Filho e do Espirito Santo. Amém.



Ir. Patrícia Silva, fsp

sexta-feira, 6 de março de 2026

Mt 21,33-43.45-46 - Não tomar posse, mas servir




Ser cristão é servir

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Creio, Senhor Jesus, que sou parte de seu Corpo.
Trindade Santíssima
- Pai, Filho, Espírito Santo -
presente e atuante na Igreja e na profundidade do meu ser.
Eu vos adoro, amo e agradeço.

Rezemos com Raoul Follereau:
Senhor, ensina-nos 
a não amar somente os que são nossos,
a não amar somente os que amamos.
Ensina-nos a pensar nos outros e a
amar, em primeiro lugar,
aqueles a quem ninguém ama.
Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.

 Leitura (Verdade)
- O que a Palavra diz?
Leiamos o Evangelho de Mateus, capítulo 21, versículos 33 a 43.45 a 46

Naquele tempo, dirigindo-se Jesus aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo, disse-lhes: “Escutai esta outra parábola: certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas e construiu uma torre de guarda. Depois, arrendou-a a vinhateiros e viajou para o estrangeiro. Quando chegou o tempo da colheita, o proprietário mandou seus empregados aos vinhateiros para receber seus frutos. Os vinhateiros, porém, agarraram os empregados, espancaram a um, mataram a outro e ao terceiro apedrejaram. O proprietário mandou de novo outros empregados, em maior número do que os primeiros. Mas eles os trataram da mesma forma. Finalmente, o proprietário enviou-lhes o seu filho, pensando: ‘Ao meu filho eles vão respeitar’. Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!’ Então agarraram o filho, jogaram-no para fora da vinha e o mataram. Pois bem, quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?” Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo”. Então Jesus lhes disse: “Vós nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular; isto foi feito pelo Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos’? Por isso eu vos digo, o Reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produzirá frutos”. Os sumos sacerdotes e fariseus ouviram as parábolas de Jesus e compreenderam que estava falando deles. Procuraram prendê-lo, mas ficaram com medo das multidões, pois elas consideravam Jesus um profeta.

Compreendamos  o texto

Mais uma parábola de Jesus, em que os lavradores lembram os profetas que pregavam a justiça e foram eliminados. Por fim, Deus enviou seu próprio Filho, Jesus Cristo, que também foi rejeitado e morto. Mas, ressuscitou. O resultado disso: “o Reino será tirado de vocês e dado para pessoas que produzem frutos”. Em torno de Jesus estarão aqueles que não vêm para tomar posse, mas para servir.
A parábola dos vinhateiros homicidas denuncia, em primeiro lugar, aqueles que, ao invés de cuidarem do povo, querem se apossar da vinha do Senhor. Para isso, rejeitaram todos os que foram enviados por Deus para alertá-los. É uma menção ao fim trágico de muitos profetas. Em segundo lugar, e esta é a intenção mais importante da parábola, ele faz o leitor compreender que a morte de Jesus foi premeditada e é fruto da inveja, da cobiça e da maldade deliberada. A parábola não possui um juízo condenatório; ela é, isto sim, um forte apelo a reconhecer em Jesus o dom de Deus e a viver em conformidade com este dom e, nele, produzir bons frutos. A inveja e a cobiça trazem em si mesmas uma dinâmica de morte: elas impedem de reconhecer o outro como irmão para considerá-lo como adversário e inimigo.

 Meditação(Caminho)
- O que a Palavra diz para nós?
O texto é um apelo de Jesus para pertencer ao grupo que serve. 

Meditemos
Em Aparecida, na quinta Conferência, os bispos lembraram o apelo do papa: 
“O Santo Padre nos recorda que a Igreja está convocada a ser “advogada da justiça e defensora dos pobres” diante das “intoleráveis desigualdades sociais e econômicas”, que “clamam ao céu”. Temos muito que oferecer, visto que “não há dúvida de que a Doutrina Social da Igreja é capaz de despertar esperança em meio às situações mais difíceis, porque se não há esperança para os pobres, não haverá para ninguém, nem sequer para os chamados ricos”.
A opção preferencial pelos pobres exige que prestemos especial atenção àqueles profissionais católicos que são responsáveis pelas finanças das nações, naqueles que fomentam o emprego, nos políticos que devem criar as condições para o desenvolvimento econômico dos países, a fim de lhes dar orientações éticas coerentes com sua fé.” (DAp 395).

Oração (Vida)
- O que a Palavra nos leva a dizer a Deus?
Rezamos com toda Igreja, 

Oração CF 2026
Deus, nosso Pai,
em Jesus, vosso Filho, viestes morar entre nós
e nos ensinastes o valor da dignidade humana.

Nós vos agradecemos por todas as pessoas e grupos
que, sob o impulso do Espírito Santo,
se empenham em favor da moradia digna para todos.

Nós vos suplicamos:
dai-nos a graça da conversão,
para ajudarmos a construir uma sociedade
mais justa e fraterna,
com terra, teto e trabalho para todas as pessoas,
a fim de, um dia, habitarmos convosco
a casa do Céu. Amém.


 Contemplação(Vida/ Missão)
- Qual o nosso novo olhar a partir da Palavra?
Nosso novo olhar é para cuidar a fim de que a vida de Deus e seu Reino tenham espaço de expressão no mundo em que vivemos.

Bênção  
Senhor, nosso Deus, concedei-nos nesta quaresma a graça da conversão e da reconciliação por meio da oração, da penitencia e da caridade. Dai-nos a graça de aprender convosco a  ser livres para amar, acolhendo a vida como dom e compromisso, valorizando e defendendo a vida, especialmente onde ela se encontra mais fragilizada e sofrida. Isto vos pedimos, em nome do Pai, e do Filho e do Espirito Santo. Amém.

Ir. Patrícia Silva, Filha de são Paulo



quinta-feira, 5 de março de 2026

Lc 16,19-31 - Parábola do Rico e do pobre Lázaro (=Deus é ajuda)

LEITURA ORANTE


Caminhemos passo a passo com Jesus.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Creio, Senhor Jesus, que sou parte de seu Corpo,
membro da Igreja viva.

Trindade Santíssima

- Pai, Filho, Espírito Santo -
presente e atuante na Igreja e na profundidade do meu ser.
Eu vos adoro, amo e agradeço. 

Agora, ouçamos o que ele, o Senhor nos diz

1. Leitura (Verdade) 
 Vamos "conhecer" mais sobre Jesus

O que diz o texto do dia?  
Lucas traz uma parábola inquietante que aborda a questão dos relacionamentos humanos. Vamos deixar que esta parábola nos questione e ilumine a nossa vida. 

Vamos lê-la como Jesus a contou. Lc 16,19-31.

Disse Jesus aos fariseus: 19“Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias. 20 Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico. 21Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas. 22Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. 23Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. 24Então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas’. 25Mas Abraão respondeu: ‘Filho, lembra-te que tu recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 26E, além disso, há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós e nem os daí poderiam atravessar até nós’. 27 O rico insistiu: ‘Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa do meu pai, 28porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento’. 29Mas Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os Profetas, que os escutem!’ 30 O rico insistiu: ‘Não, pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter’. 31Mas Abraão lhe disse: ‘Se não escutam a Moisés nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos'”.

Revendo o texto

Recordando: a primeira parte da parábola fala de um rico poderoso, sem nome. Suas vestes são finas e elegantes indicam luxo e ostentação. Só pensa em banquetes suntuosos todos os dias.
Um aspecto interessante: nesta história o rico não tem nome, pois não tem identidade humana. Não era ninguém. sua vida era vazia de amor solidário, é um fracasso. Nada de amizade social.
Junto à porta de sua mansão, está estendido um mendigo. Não está coberto de linho, mas de feridas repugnantes. Não sabe o que é um banquete. Não lhe dão nem pão que cai da mesa da rico para matar sua fome. Só alguns cachorros da rua se aproximam para lamber-lhe as feridas. Não tem ninguém, não possui nada. Só um nome cheio de promessas: Lázaro, que significa "Deus é ajuda". Estão próximos, apenas um dentro e outro fora de casa. São poucos metros de distância, mas um abismo os separa.

A segunda parte da narração apresenta uma reviravolta total. Ambos morrem e a morte os iguala. A riqueza não os diferencia. O pobre se salva pela misericórdia de Deus, por graça. O rico se condena por si mesmo, porque ele escolheu quando se isolou, se fechou, não quis ver, descobrir, ajudar o pobre que estava a seu lado.


Outro dado da parábola: depois da morte não há mais como mudar as coisas. O tempo de mudança é este, esta vida.

2. Meditação (Caminho)

O que o texto diz para nós, hoje? Qual palavra mais nos toca o coração?

Perguntamo-nos se não estamos deixando o tempo passar, deixando a conversão para depois. Amar é necessário.
Infelizmente, hoje, crescem cada vez mais as portas que se fecham, os muros que se erguem,  que separam as pessoas, que as impedem de ver e ouvir os gritos dos famintos, doentes, separados, excluídos, no sofrimento, na pobreza, os descartados.
A grande tragédia está nos muros levantados, nas cercas de proteção, nos portões eletrônicos que nos impedem de ver os rostos dos outros, que nos fecham sobre nós mesmos como se ninguém mais existisse.
É preciso escancarar as portas dos nossos preconceitos, da nossa insensibilidade, dos nossos pré-juízos, portas que nos fazem acostumar a não ver famintos, necessitados, explorados, invisíveis.
O que Jesus lamenta é nossa insensibilidade, a nossa indiferença diante de quem vive na penúria. A riqueza, as roupas finas podem causar bloqueio do coração, um escândalo no mundo da pobreza. Os grandes banquetes podem ser  insultos a um mundo onde predomina a fome.
O fosso que separa o rico de Lázaro, na parábola, se reflete na desigualdade cada vez maior, hoje, em nossa sociedade.

“No exercício de nossa liberdade, às vezes recusamos essa vida nova (cf. Jo 5,40) ou não perseveramos no caminho (cf. Hb 3,12-14). Com o pecado, optamos por um caminho de morte. Por isso, o anúncio de Jesus sempre convoca à conversão, que nos faz participar do triunfo do Ressuscitado e inicia um caminho de transformação. (D
Ap 351).

Comecemos como Lázaro, cujo nome  significa "Deus é ajuda", pedindo a ajuda de Deus, invocando o nome santo de Jesus.

3. Oração (Vida) 
Quantas vezes invocando o nome santo de Jesus fomos salvos. Vamos invocá-lo agora  para  ter a graça de viver o amor que partilha

Rezemos com toda a Igreja:   

Oração CF 2026
Deus, nosso Pai,
em Jesus, vosso Filho, viestes morar entre nós
e nos ensinastes o valor da dignidade humana.

Nós vos agradecemos por todas as pessoas e grupos
que, sob o impulso do Espírito Santo,
se empenham em favor da moradia digna para todos.

Nós vos suplicamos:
dai-nos a graça da conversão,
para ajudarmos a construir uma sociedade
mais justa e fraterna,
com terra, teto e trabalho para todas as pessoas,
a fim de, um dia, habitarmos convosco
a casa do Céu. Amém.

Para ouvir e cantar junto: 

(Padre Zezinho, scj) 

Por um pedaço de pão e por um pouco de vinho
Eu já vi mais de um irmão se desviar do caminho
Por um pedaço de pão e por um pouco de vinho
Eu também vi muita gente encontrar novamente o caminho do céu
Eu também vi muita gente voltar novamente ao convívio de Deus

Por um pedaço de pão e um pouquinho de vinho
Deus se tornou refeição e se fez o caminho
Por um pedaço de pão, por um pedaço de pão 

Por não ter vinho nem pão, por lhe faltar a comida
Eu já vi mais de um irmão desiludido da vida
E por não dar do seu pão, e por não dar do seu vinho
Vi quem dizia ser crente, perder de repente os valores morais
Vi que o caminho da paz só se faz com justiça e direitos iguais

Por um pedaço de pão e por um pouco de vinho
Eu já vi mais de um irmão tornar-se um homem mesquinho
Por um pedaço de pão e por um pouco de vinho
Vejo as nações em conflito e este mundo maldito por não partilhar
Vejo metade dos homens morrendo de fome, sem Deus e sem lar

4. Contemplação(Vida/ Missão)   
Que o Senhor nos converta e com  Jesus comecemos  a transformar a história.
Nosso olhar de contemplação é um olhar de conversão que cancela tudo aquilo que em nossa vida é acomodação, indiferença, omissão. Que Deus tenha piedade de nós.

Bênção
Que o Senhor nos abençoe e nos livre de todo mal. 
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Amém