quinta-feira, 30 de maio de 2024

Mc 14,12-16.22-26 - Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo


LEITURA ORANTE


Iniciamos este momento de Leitura Orante, 
em sintonia com toda a Igreja,
que celebra Corpus Christi.
Rezamos a ação de graças dos bispos 
na Conferência de Aparecida:

Bendizemos a Deus que se nos dá na celebração da fé, 
especialmente na Eucaristia, pão de vida eterna. 
A ação de graças a Deus pelos numerosos e admiráveis dons 
que nos outorgou culmina na celebração central da Igreja, 
que é a Eucaristia, alimento substancial dos discípulos e missionários”. 
(DAp 26).

E cantamos com o Padre Zezinho, scj:

(Pe. Zezinho,scj)

Daqui do meu lugar, eu olho o teu altar
E fico a imaginar aquele pão, aquela refeição
Partiste aquele pão e o deste aos teus irmãos
Criaste a religião do pão do céu
Do pão que vem do céu

Somos a Igreja do pão
Do pão repartido, e do abraço e da paz

Somos a Igreja do pão
Do pão repartido, e do abraço e da paz

Daqui do meu lugar, eu olho o teu altar
E fico a imaginar aquela paz, aquela comunhão
Viveste aquela paz e a deste aos teus irmãos
Criaste a religião do pão da paz
Da paz que vem do céu

Somos a Igreja da paz
Da paz partilhada, e do abraço e do pão



1.Leitura (Verdade)
O que diz o texto do dia?
Lemos atentamente, o texto: Mc 14,12-16.22-26, e observamos as palavras e gestos de Jesus, na última ceia.

No primeiro dia da Festa dos Pães sem Fermento, em que os judeus matavam carneirinhos para comemorarem a Páscoa, os discípulos perguntaram a Jesus:
- Onde é que o senhor quer que a gente prepare o jantar da Páscoa para o senhor?
Então Jesus enviou dois discípulos com a seguinte ordem:
- Vão até a cidade. Lá irá se encontrar com vocês um homem que estará carregando um pote de água. Vão atrás desse homem e digam ao dono da casa em que ele entrar que o Mestre manda perguntar: "Onde fica a sala em que eu e os meus discípulos vamos comer o jantar da Páscoa?" Então ele mostrará a vocês no andar de cima uma sala grande, mobiliada e arrumada para o jantar. Preparem ali tudo para nós.
Os dois discípulos foram até a cidade e encontraram tudo como Jesus tinha dito. Então prepararam o jantar da Páscoa. Enquanto estavam comendo, Jesus pegou o pão e deu graças a Deus. Depois partiu o pão e o deu aos discípulos, dizendo:
- Peguem; isto é o meu corpo. Em seguida, pegou o cálice de vinho e agradeceu a Deus. Depois passou o cálice aos discípulos, e todos beberam do vinho. Então Jesus disse:
- Isto é o meu sangue, que é derramado em favor de muitos, o sangue que garante a aliança feita por Deus com o seu povo. Eu afirmo a vocês que isto é verdade: nunca mais beberei deste vinho até o dia em que beber com vocês um vinho novo no Reino de Deus.
Então, eles cantaram canções de louvor e foram para o monte das Oliveiras.


Durante a última ceia pascal, que Jesus celebrou com seus discípulos, ele mesmo nos revela o mistério: "Isto é meu Corpo.(...) Isto é o meu sangue”. E nos convida a alimentar-nos dele. É na Eucaristia que nos alimentamos do Pão da Vida, o próprio Senhor Jesus. Vejamos esta música:

Este Pão (Pe. Zezinho, scj)


Este pão, que a gente chama: Eucaristia,

lembrança de uma ceia sem igual.
partiu aquele pão naquele dia,
Partiu o pão, 
Partiu o pão,
Partiu o pão,
E dentro dele achou o céu,
Achou o céu,
Achou o céu
Este pão, que a gente chama: Eucaristia,
deserto desta vida é o novo maná.
Quem tem fome de justiça e de luz,
Aproxime-se da mesa de Jesus!


2. Meditação (Caminho)
O que o texto diz para nós, hoje?
Jesus se fez pão para ficar conosco. Quis ser meu alimento. Como acolhemos e recebemos este alimento?

Disseram, em Aparecida, os bispos: 

"Igual às primeiras comunidades de cristãos, hoje nos reunimos assiduamente para “escutar o ensinamento dos apóstolos, viver unidos e tomar parte no partir do pão e nas orações”(At 2,42). A comunhão da Igreja se nutre com o Pão da Palavra de Deus e com o Pão do Corpo de Cristo. A Eucaristia, participação de todos no mesmo Pão de Vida e no mesmo Cálice de Salvação, nos faz membros do mesmo Corpo (cf. 1 Cor 10,17). Ela é a fonte e o ponto mais alto da vida cristã, sua expressão mais perfeita e o alimento da vida em comunhão. Na Eucaristia, nutrem-se as novas relações evangélicas que surgem do fato de sermos filhos e filhas do Pai e irmãos e irmãs em Cristo. A Igreja que a celebra é “casa e escola de comunhão”, onde os discípulos  compartilham a mesma fé, esperança e amor a serviço da missão evangelizadora." (DAp 158).

3. Oração (Vida)
O que o texto nos leva a dizer a Deus?
Rezamos ao Senhor,
dizendo que o desejo receber no meu coração,
mas não nos sentimos
com a dignidade suficiente.
Nossa oração inspira-se
na canção do padre Zezinho, scj:

                                              Eu não sou digno

Eu não sou digno
Eu não sou digno, ó meu Senhor,
Eu não sou digno de que
Tu entres, ó meu Senhor
Na minha casa,
porque és tão Santo e eu pecador
Eu nem me atrevo até pedir este favor
Mas se disseres uma palavra,
a minha casa se transformará
Uma palavra é suficiente,
suavemente ela nos salvará
Eu não sou digna, ó meu Senhor,
Eu não sou digna de que tu entres, ó meu Senhor,
Na minha casa.
Meu coração é tão pecador
que nem me atrevo a te pedir este favor.
Ouçamos em:


4. Contemplação (Vida e Missão)

Qual nosso novo olhar a partir da Palavra?
Hoje, com a Igreja da América Latina,
"louvamos a Deus porque Ele continua derramando 
seu amor em nós pelo Espírito Santo
e nos alimentando com a Eucaristia, 
pão da vida (cf. Jo 6,35)”. (DAp 106).

Bênção

- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém.
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém.
- Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém.
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém

Irmã Patrícia Silva, fsp


Sobre Corpus Christi e MESCE,veja:


https://universo.paulinas.com.br/conteudo/corpus-christi-e-o-ministerio-extraordinario-da-sagrada-comunhao-eucaristica/777

domingo, 26 de maio de 2024

Mt 28,16-20 - Solenidade da Santíssima Trindade

LEITURA ORANTE
Escultura de Irmã Caritas Müller, simbolizando a Santíssima Trindade

Preparamo-nos para a Leitura Orante, com todos os internautas,
saudando a Santíssima Trindade, com a oração:

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Creio, Senhor Jesus, que sou parte de seu Corpo.
Trindade Santíssima
- Pai, Filho, Espírito Santo -
presente e agindo na Igreja e na profundidade do meu ser.
Eu vos adoro, amo e agradeço.


1. Leitura (Verdade)
O que diz o texto do dia?
Lemos atentamente, na Bíblia, o texto: Mt 28,16-20.

Os onze discípulos foram para a Galileia e chegaram ao monte que Jesus tinha indicado. E, quando viram Jesus, o adoraram; mas alguns tiveram suas dúvidas. Então Jesus chegou perto deles e disse:
- Deus me deu todo o poder no céu e na terra. Portanto, vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando esses seguidores em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a obedecer a tudo o que tenho ordenado a vocês. E lembrem disto: eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos.


Refletindo

As três pessoas da Santíssima Trindade fazem uma comunhão perfeita. Possuem a mesma natureza, a mesma sabedoria, a mesma misericórdia, providência, bondade, amor. Fomos batizados em nome deste único Deus, em Três Pessoas, e fomos criados à sua imagem e semelhança, para também nós sermos misericordiosos, bondosos.

2. Meditação (Caminho)
O que o texto diz para nós, hoje?
Como vivemos, nos relacionamentos, à semelhança da Trindade? Vivemos a solidariedade?
Refletimos, nas nossas atitudes,  o amor de Deus?

Meditando 

Os bispos, em Aparecida, disseram: "O que nos define não são as circunstâncias dramáticas da vida, nem os desafios da sociedade ou as tarefas que devemos empreender, mas acima de tudo o amor recebido do Pai graças a Jesus Cristo pela unção do Espírito Santo. "(DAp 14).

O que pode nos ajudar na experiência da Santíssima Trindade?
Para facilitar a experiência da presença e ação da Trindade em nossas vidas, nossa proposta é contemplar a escultura da Irmã Caritas Müller (veja foto acima) que está numa casa de oração na Alemanha; toda obra de arte fala mais que muitas palavras. Todo artista capta detalhes do Mistério e nos oferece ricas possibilidades de acesso que a razão nem sempre consegue explicar.

O comentário a seguir é do Pe. Adroaldo, sj, que achamos muito oportuno.

"Quem é o Pai-Criador, quem é o Filho Redentor, quem é o Espírito Santificador?
As definições apresentadas pelo “dogma da Trindade” não nos ajudam muito. No entanto, a identidade da Trindade se revela na sua ação salvífica. O Pai, no Filho e pelo Espírito Santo se preocupam com cada um dos seus filhos e filhas. Sua intenção é idêntica; atitudes e gestos o demonstram: uma mesma atenção, uma mesma paixão os move para o ser humano; um mesmo amor para com cada criatura humana brota das entranhas da Santíssima Trindade.


O interessante é que, ao observarmos a escultura acima, vemos que o ser humano está no centro. Trata-se da pessoa na sua total fragilidade e miséria, caída e sem forças...Essa pessoa está circuncidada pela misericórdia da Trindade.
Em Deus o ser humano está no centro, para que o ser humano coloque Deus no centro da sua vida.
Mais uma vez, Deus escolhe para isso o caminho do Amor que se entrega, da inquebrantável misericórdia reconstrutora, da transbordante doação que dignifica cada ser humano.

Percebemos na escultura quatro círculos. O círculo expressa o caráter único de cada pessoa, tanto divina como humana. As Três Pessoas divinas e a pessoa humana encontram-se dentro de círculos. O círculo da pessoa humana está no centro da Trindade, e os círculos das Três Pessoas da Trindade encontram-se abertos em direção a este círculo central.  Pela sua Encarnação, Morte e Ressurreição, o Filho é o mediador que introduz o ser humano no coração da Trindade.
É importante notar que os círculos não são fechados, pois as pessoas podem entrar no círculo das outras na medida em que seu amor é atuante e expansivo. O círculo central recolhe uma pessoa humana, que pode ser qualquer um de nós. Não dá para saber se é homem ou mulher, pobre ou rica, jovem ou velha e assim por diante. Parece sim se tratar de uma pessoa ferida nos caminhos da vida.
O círculo, como símbolo de realização, significa que o ser humano, em sua fragilidade e em sua miséria, é chamado à plenitude de vida e de realização.
Logo nos vem a lembrança do Bom Samaritano. As três pessoas divinas estão debruçadas, com reverência, sobre a pessoa machucada. É patente que o Deus uno e trino comunga no mesmo sentimento de amor e compaixão.
Tudo converge para esta revelação: o ser humano desfigurado e acolhido pela iniciativa amorosa da Trindade. O ser humano desfigurado é transfigurado pelo Amor Trinitário.

A Trindade Misericordiosa envolve a criatura humana por todos os lados. Toda a atenção de Deus está centrada sobre o ser humano.
O Pai (à direita), está carinhosamente inclinado, com um dos joelhos em terra, esforçando-se com cuidado para levantar a pessoa ferida. O sentimento do Pai é de ternura e cuidado, seu rosto se aproxima e beija o rosto inerte da pessoa ferida. Ele revela seu amor misericordioso no calor do abraço, que acolhe e regenera o ser humano. Morre o mal que foi feito e celebra-se a festa da vida nova.
Assim fez o pai que, no regresso do filho pródigo, o abraça, o cobre de beijos e o cumula de seu perdão.
Levantar, rodear de ternura, abraçar, acolhê-lo em seu seio de ternura, tal é o gesto de Deus-Pai para com o ser humano. Gesto de libertação que o coloca de pé, devolvendo sua dignidade.

Jesus, o Filho de Deus (à esquerda), ajoelha e se inclina profundamente. Ele se rebaixa à mesma condição do ser humano. Ele segura e sustenta com suas mãos os pés da pessoa ferida, lava-os, cura as feridas com carinho e beija seus pés. Beijo, gesto de intimidade e de ternura, que convida a pessoa a deixar-se amar. O amor liberta, põe o homem e a mulher de pé.
Jesus nos revela o maior serviço do amor, ao mesmo tempo que realiza o mais humilde serviço. “Eu vim para servir e não para ser servido”. O Filho revela o Deus Amor-serviço, que se põe aos pés da humanidade decaída para restaurá-la, e revela o caminho do serviço como caminha para a vida.
Em Jesus Deus se abaixa para estar mais perto da miséria do ser humano. Não o olha a partir de cima, abaixa-se. Não vem ao nosso encontro em nossas perfeições, mas em nossas misérias.
É o que Jesus nos revelou durante toda sua vida e de maneira especial no gesto do lava-pés. Ele põe o centro de sua ação nos seres mais pobres e mais fracos, aqueles que não contam para nada, os descartados, os que sofrem e os pecadores. O ser humano, cada um de nós pessoalmente, é tão importante aos olhos de Deus que Ele o coloca no centro de suas preocupações.

O Espírito Santo, figura que desce do alto e se aproxima do ferido, tanto pode ser a figura de uma pomba, de chamas ou de mãos que trazem vida. O bico da pomba, como o Pai e o Filho, beija a pessoa e lhe transmite o Sopro de vida. Deus quer ter o ser humano, um ser vivente, como interlocutor, um ser capaz de responder seu chamado à vida. Deseja um ser vivente, capaz de amar e de assemelhar-se a Ele.
A Pomba de fogo, voa sobre o ser humano caído e o aquece. A relação entre a Pomba de fogo e o ser humano do centro recorda Pentecostes. Cheios do Espírito Santo, os Apóstolos, antes marcados pelo medo, se transformam em testemunhas audazes de Jesus e do amor de Deus.
Pai, Filho e Espírito se preocupam pela pessoa, criada do barro da terra. A pessoa, no centro, é a figura mais escura de todas. Cor da terra, de húmus, um ser criado por Deus, e que estaria sem vida, se esta não lhe fosse comunicada pelo Criador.

Ao experimentar esta acolhida restauradora, o ser humano é chamado a ser também presença da Trindade Amiga para seus irmãos, construindo a comunhão trinitária no mundo em que vive. Só corações solidários adoram um Deus Trinitário",conclui Pe. Adroaldo.

3.Oração (Vida)
 O que o texto nos leva a dizer a Deus?
Renovamos a nossa fé na Santíssima Trindade:
Creio
Creio em Deus Pai, Todo-poderoso,
Criador do céu e da terra.
Creio em Jesus Cristo,
Seu único Filho, Nosso Senhor,
Que foi concebido pelo Espírito Santo.
Nasceu da Virgem Maria,
Padeceu sob Pôncio Pilatos,
Foi crucificado, morto e sepultado.
Desceu à mansão dos mortos,
Ressuscitou ao terceiro dia,
Subiu aos céus,
Onde está sentado à direita de Deus Pai
E donde há de vir julgar os vivos e os mortos,
Creio no Espírito Santo,
Na santa Igreja católica,
Na comunhão dos santos,
Na remissão dos pecados,
Na ressurreição da carne,
vida eterna. Amém.

4.Contemplação (Vida e Missão)
Qual nosso novo olhar a partir da Palavra?
Nosso novo olhar é voltado para ser e viver o coração solidário que a Trindade nos inspira. Vamos nos lembrar: "Só corações solidários adoram um Deus Trinitário".

Bênção

 A bênção do Deus de Sara, Abraão e Agar,
a bênção do Filho, nascido de Maria,
a bênção do Espírito Santo de amor,
que cuida com carinho, qual mãe cuida da gente,
esteja sobre todos nós. Amém!

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém

Irmã Patrícia Silva, fsp




 

quarta-feira, 1 de maio de 2024

Mt 13,54-58 - O pai de Jesus, um operário

Preparo-me para a Leitura Orante, rezando:
Espírito de verdade,
a ti consagro a mente e meus pensamentos: ilumina-me.
Que eu conheça Jesus Mestre
e compreenda o seu Evangelho.

1. Leitura (Verdade)

O que diz o texto do dia?
Leio atentamente o texto: Mt 13,54-58, e observo pessoas, palavras, relações, lugares.
E voltou para a cidade de Nazaré, onde ele tinha morado. Ele ensinava na sinagoga, e os que o ouviam ficavam admirados e perguntavam:
- De onde vêm a sabedoria dele e o poder que ele tem para fazer milagres? Por acaso ele não é o filho do carpinteiro? A sua mãe não é Maria? Ele não é irmão de Tiago, José, Simão e Judas? Todas as suas irmãs não moram aqui? De onde é que ele consegue tudo isso?
Por isso ficaram desiludidos com ele. Mas Jesus disse:
- Um profeta é respeitado em toda parte, menos na sua terra e na sua casa.
Jesus não pôde fazer muitos milagres ali porque eles não tinham fé.

Refletindo
Jesus está na cidade onde havia sido criado: Nazaré. Ensina na sinagoga - casa de oração do seu povo - e todos se admiram com sua sabedoria. É a prova de que Jesus é o Filho de Deus e não apenas filho do carpinteiro, que também era justo e fiel a Deus. Seus conterrâneos, talvez por baixa autoestima, mas sobretudo, pela falta de fé, questionam a origem da autoridade dele: "De onde vem a sabedoria dele e o seu poder?" Não conseguem compreender que um conhecido deles seja Filho de Deus. E o rejeitam. O Mestre vive uma experiência semelhante à dos profetas que também foram rejeitados, desprezados, até mortos de forma cruel. "Porque eles não tinham fé", Jesus, não pode fazer ali, em Nazaré, muitos milagres.

2. Meditação (Caminho)
O que o texto diz para mim, hoje? Qual palavra mais me toca o coração? Contemplo Jesus na carpintaria de Nazaré, aprendendo com José. Em tudo semelhante a nós, como disse São Paulo na Carta aos Filipenses.
Meditando
Entendo, na última expressão, a dificuldade de crer: "Jesus não pode fazer muitos milagres ali porque eles não tinham fé".
O bispos na Conferência de Aparecida, disseram: "Vivemos uma mudança de época, e seu nível mais profundo é o cultural. Dissolve-se a concepção integral do ser humano, sua relação com o mundo e com Deus; "aqui está precisamente o grande erro das tendências dominantes do último século... Quem exclui Deus de seu horizonte, falsifica o conceito da realidade e só pode terminar em caminhos equivocados e com receitas destrutivas" (Bento XVI, Discurso Inaugural). (DAp,44).

Meditemos com o Papa Francisco:
"O adolescente Jesus aprendeu a profissão com o pai. Portanto, quando, adulto, começou a pregar, os seus concidadãos, surpreendidos, perguntavam-se: «De onde lhe vem esta sabedoria e o poder de fazer milagres?» (Mt 13, 54), e escandalizavam-se com Ele (cf. v. 57), pois era o filho do carpinteiro, mas falava como um doutor da lei, e escandalizavam-se com isto.

Este dado biográfico sobre José e Jesus faz-me pensar em todos os trabalhadores do mundo, especialmente naqueles que trabalham arduamente em minas e em certas fábricas; naqueles que são explorados através do trabalho não declarado; nas vítimas do trabalho,   nas crianças que são obrigadas a trabalhar e naquelas que vasculham as lixeiras em busca de algo útil... Permito-me repetir o que disse: os trabalhadores escondidos, os trabalhadores que fazem trabalho pesado nas minas e em certas fábricas: pensemos neles. Naqueles que são explorados pelo trabalho clandestino, naqueles que contrabandeiam salários, às escondidas, sem reforma, sem nada. E se não trabalhas, tu, não tens segurança alguma. Há muito trabalho não declarado hoje em dia. Pensemos nas vítimas do trabalho, dos acidentes de trabalho; nas crianças que são obrigadas a trabalhar: isto é terrível! As crianças na idade de brincar devem brincar, mas em vez disso são forçadas a trabalhar como os adultos. Todos estes são nossos irmãos e irmãs, que ganham a vida desta forma, com trabalhos que não reconhecem a sua dignidade! Pensemos nisto. E isto  acontece hoje, no mundo, isto acontece hoje! Mas também penso naqueles que estão desempregados: quantas pessoas vão bater às portas das fábricas, das empresas: “Mas, há alguma coisa a fazer?”  – “Não, não há, não há...”. A falta de trabalho! E penso também naqueles que se sentem feridos na própria dignidade porque não conseguem encontrar um emprego.  
Se não dermos ao nosso povo, aos nossos homens e mulheres, a capacidade de ganhar o pão, é uma injustiça social naquele lugar, naquela nação, naquele continente. Os governantes devem dar a todos a possibilidade de ganhar o pão, porque este ganho lhes dá dignidade. O trabalho é uma unção de dignidade, e isto é importante. Muitos jovens, muitos pais e mães vivem o drama de não ter um emprego que lhes permita viver serenamente, vivem um dia de cada vez. E muitas vezes a procura de uma ocupação torna-se tão dramática que são levados ao ponto de perderem toda a esperança e desejo de viver. 
Nos tempos de pandemia, muitas pessoas perderam os empregos – sabemos isto – e algumas, esmagadas por um fardo insuportável, chegaram ao ponto de cometer suicídio. Gostaria hoje de lembrar cada um deles e as suas famílias.  Façamos um momento de silêncio para recordar aqueles homens e mulheres desesperados porque não conseguem encontrar trabalho".

3.Oração (Vida)
O que o texto me leva a dizer a Deus?
Continua o Papa Francisco:
"Gostaria hoje de recitar convosco a oração que São Paulo VI elevou a São José a 1º de maio de 1969:

Ó São José,
Padroeiro da Igreja
vós que, ao lado do Verbo encarnado
trabalhastes todos os dias para ganhar o pão
tirando d’Ele a força para viver e labutar;
vós que experimentastes a ansiedade do amanhã,
a amargura da pobreza, a precariedade do trabalho:
vós que irradiais hoje, o exemplo da vossa figura,
humilde perante os homens
mas grandíssima diante de Deus,
protegei os trabalhadores na sua dura existência quotidiana,
defendendo-os do desânimo
da revolta negadora,
bem como das tentações do hedonismo;
e preservai a paz no mundo,
aquela paz que, por si só, 
pode garantir o desenvolvimento dos povos. Amém."

4.Contemplação (Vida e Missão)
Qual meu novo olhar a partir da Palavra?
Meu novo olhar é para ver além das aparências e reconhecer a presença de Deus nos/as trabalhadores/as, nas coisas e pessoas mais simples.

Ir. Patricia Silva, fsp