sexta-feira, 13 de março de 2026

Mc 12,28b-34 - Amar com totalidade

LEITURA  ORANTE

Preparamo-nos para a Leitura Orante,
rezando com todos os que
se reúnem em torno da Palavra:

Oração para antes de ler a Bíblia
Jesus Mestre, que dissestes:
 “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, 
eu aí estarei no meio deles”, 
ficai conosco, aqui reunidos para melhor meditar 
e comungar com vossa Palavra.
Sois o Mestre e a Verdade: iluminai-nos, 
para que melhor compreendamos 
as Sagradas Escrituras.
Sois o Guia e o Caminho: 
fazei-nos dóceis ao vosso seguimento.  
Sois a Vida: 
transformai nosso coração em terra boa, 
onde a Palavra de Deus produza frutos abundantes 
de santidade e de missão.


 Leitura (Verdade)
O que diz o texto do dia?
Lemos atentamente o texto: Marcos 12,28b a 34 e 
observamos a síntese que Jesus faz dos mandamentos.

 Jesus estava expulsando um demônio que era mudo. Quando o demônio saiu, o mudo começou a falar, e as multidões ficaram admiradas.  Mas alguns disseram: um escriba aproximou-se de Jesus e perguntou: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?” Jesus respondeu: “O primeiro é este: Ouve, ó Israel! O Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e com toda a tua força! O segundo mandamento é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Não existe outro mandamento maior do que estes”. O mestre da Lei disse a Jesus: “Muito bem, mestre! Na verdade, é como disseste: ele é o único Deus e não existe outro além dele. Amá-lo de todo o coração, de toda a mente e com toda a força e amar o próximo como a si mesmo é melhor do que todos os holocaustos e sacrifícios”. 34Jesus viu que ele tinha respondido com inteligência e disse: “Tu não estás longe do Reino de Deus”. E ninguém mais tinha coragem de fazer perguntas a Jesus. 

Compreendendo o texto
O mestre da Lei quer por Jesus à prova. No Antigo Testamento há decálogos e leis que regulavam a conduta do israelita. A tradição rabínica possuía até 613 preceitos, 248 mandatos e 365 proibições. O mestre pergunta a Jesus qual é o mandamento mais importante. Jesus resume todos os mandamentos em dois, igualmente importantes e inseparáveis: o amor a Deus e ao próximo. Quem ama a Deus deve amar o filho de Deus, ou seja, o próximo. Tudo o mais é consequência. E diz mais: o amor ao próximo deve ser igual ao amor a si mesmo.

Meditação (Caminho)
O que o texto diz para nós, hoje?
Como vivemos estes dois mandamentos? Começamos  pelo segundo mandamento. Amamos as outras pessoas como a nós mesmos? O papa Bento 16, em 2006, na sua primeira encíclica intitulada “Deus caritas est”, Deus é amor, no parágrafo 16, diz que há um “nexo indivisível entre o amor a Deus e o amor ao próximo: um exige tão estreitamente o outro que a afirmação do amor a Deus se torna uma mentira, se o homem se fechar ao próximo ou, inclusive, o odiar.”

Meditando
O papa diz mais: “Só a minha disponibilidade para ir ao encontro do próximo e demonstrar-lhe amor é que me torna sensível também diante de Deus. Só o serviço ao próximo é que abre os meus olhos para aquilo que Deus faz por mim e para o modo como Ele me ama. Os Santos — pensemos, por exemplo, na Beata Teresa de Calcutá — hauriram a sua capacidade de amar o próximo, de modo sempre renovado, do seu encontro com o Senhor eucarístico e, vice-versa, este encontro ganhou o seu realismo e profundidade precisamente no serviço deles aos outros. Amor a Deus e amor ao próximo são inseparáveis, constituem um único mandamento (Deus caritas est, 18).

É assim que amamos nosso irmão? É assim que amamos a Deus?

Oração (Vida)
O que o texto nos leva a dizer a Deus?

Salmo (25)
Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos!

1. Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos / e fazei-me conhecer a vossa estrada! / Vossa verdade me oriente e me conduza, / porque sois o Deus da minha salvação. – R.

2. O Senhor é piedade e retidão / e reconduz ao bom caminho os pecadores. / Ele dirige os humildes na justiça / e aos pobres ele ensina o seu caminho. – R.

3. Verdade e amor são os caminhos do Senhor / para quem guarda sua aliança e seus preceitos. / O Senhor se torna íntimo aos que o temem / e lhes dá a conhecer sua aliança. – R.

Rezamos,  e concluímos, ouvindo a Oração do amor
(1Cor 13)




4.Contemplação (Vida e Missão)
Qual nosso novo olhar a partir da Palavra?
Nosso novo olhar é de renovada relação de amor com Deus e, em consequência, com o próximo.
Ó Jesus Mestre, Verdade, Caminho e Vida, tem piedade de nós.

Bênção
- Deus nos abençoe e nos guarde. Amém. 
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós. Amém. 
- Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz. Amém. 
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo. Amém.

Ir. Patrícia Silva, fsp




quinta-feira, 12 de março de 2026

Lc 11,14-23 - Não basta admirar. É preciso estar com Jesus!

LEITURA ORANTE



Estamos na quinta-feira da 3ª semana da quaresma 
quando  contemplamos a maior verdade:
 nossa opção por Jesus, a seu favor.
Rezemos:
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Espírito Santo
que procede do Pai e do Filho, tu estás em mim, falas em mim,
rezas em mim, ages em mim.
Ensina-me a fazer espaço à tua palavra, à tua oração,
à tua ação em mim para que eu possa conhecer
o mistério da vontade do Pai. Amém.

Leitura (Verdade)

O que diz o texto 
Lemos atentamente  Lc 11,14-23 , e observamos pessoas, o que pensam e o que esperam de Jesus.

Jesus estava expulsando um demônio que era mudo. Quando o demônio saiu, o mudo começou a falar, e as multidões ficaram admiradas. Mas alguns disseram: É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa os demônios”. Outros, para tentar Jesus, pediam-lhe um sinal do céu.  Mas, conhecendo seus pensamentos, Jesus disse-lhes: “Todo reino dividido contra si mesmo será destruído; e cairá uma casa por cima da outra.  Ora, se até satanás está dividido contra si mesmo, como poderá sobreviver o seu reino? Vós dizeis que é por Belzebu que eu expulso os demônios. Se é por meio de Belzebu que eu expulso demônios, vossos filhos os expulsam por meio de quem? Por isso, eles mesmos serão vossos juízes. Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demônios, então chegou para vós o Reino de Deus. Quando um homem forte e bem armado guarda a própria casa, seus bens estão seguros. Mas, quando chega um homem mais forte do que ele, vence-o, arranca-lhe a armadura na qual ele confiava e reparte o que roubou.  Quem não está comigo está contra mim. E quem não recolhe comigo dispersa”.  

Compreendendo o texto
Um exorcismo e a expulsão de um demônio que era mudo causou admiração na multidão. A admiração era frequente diante dos milagres, mas não significava ainda, atitude de fé. Alguns até atribuem o exorcismo a um pacto com Belzebu! São os que têm reservas fundamentadas em dois aspectos: a dificuldade em compreender a origem e o poder de Jesus e a necessidade do sinal. Conhecendo seus pensamentos, Jesus fala da destruição da família e do país dividido. Diz ainda que quem não é a seu favor é contra ele e quem não o ajuda a reunir, ajuntar, está espalhando. Da pregação de Jesus, entendemos também que uniremos quando nos amamos e dividiremos quando nos apegamos a nós mesmos e não nos preocupamos com o próximo

 Meditação (Caminho)

O que o texto diz para nós, hoje?
Promovemos a comunhão na nossa família, no  trabalho, na Igreja?

Meditando com a Igreja
Os bispos, em Aparecida, na 5ª Conferência, falaram da comunhão entre os cristãos:
“A vocação ao discipulado missionário é con-vocação à comunhão em sua Igreja. Não há discipulado sem comunhão. Diante da tentação, muito presente na cultura atual de ser cristãos sem Igreja e das novas buscas espirituais individualistas, afirmamos que a fé em Jesus Cristo nos chegou através da comunidade eclesial e ela “nos dá uma família, a família universal de Deus na Igreja Católica. A fé nos liberta do isolamento do eu, porque nos conduz à comunhão”. Isto significa que uma dimensão constitutiva do acontecimento cristão é o fato de pertencer a uma comunidade concreta na qual podemos viver uma experiência permanente de discipulado e de comunhão com os sucessores dos Apóstolos e com o Papa.” (DAp 156). 

Oração (Vida)
O que o texto nos leva a dizer a Deus?
Rezamos, com o Papa Francisco a

ORAÇÃO à MÃE DO DIVINO AMOR (Papa Francisco)

Ó Maria, tu sempre brilhas em nosso caminho 
como sinal de salvação e de esperança.
Nós nos entregamos a ti, saúde dos enfermos
que na cruz foi associada à dor de Jesus,
mantendo firme a sua fé.
Tu sabes do que precisamos
e temos certeza de que garantirás, como em Caná da Galileia
que a alegria e a festa possam retornar,
após este momento de provação.
Ajuda-nos, Mãe do Divino Amor, a nos conformarmos com a 
vontade do Pai, a fazer o que Jesus nos disser,
Ele que tomou sobre si nossos sofrimentos e tomou sobre si nossas 
dores, para nos levar através da cruz a alegria da ressurreição. Amém.

Contemplação (Vida e Missão)
Qual nosso novo olhar a partir da Palavra?
Nosso novo olhar é de comunhão, de promoção da união de todos por onde passamos. Para isso recebamos a 


BÊNÇÃO 
Senhor, nosso Deus, concedei-nos  a graça da conversão e da reconciliação por meio da oração, da penitencia e da caridade. Dai-nos a graça de aprender convosco a  ser livres para amar, acolhendo a vida como dom e compromisso, valorizando e defendendo a vida, especialmente onde ela se encontra mais fragilizada e sofrida. Isto vos pedimos, em nome do Pai, e do Filho e do Espirito Santo. Amém.

Ir. Patrícia Silva, fsp








terça-feira, 10 de março de 2026

Mt 18,21-35 - “Construtores de paz” entre os povos e nações

LEITURA ORANTE


Hoje,  contemplamos a alegria do perdão

A você, a saudação de Paulo Apóstolo: 
Que a graça e a paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo estejam com vocês.(Ef 1, 2)

Oração
Ef 1,3-7
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo:
Ele nos abençoou com toda bênção espiritual,
no céu, em Cristo.
  Ele nos escolheu em Cristo
antes de criar o mundo
para que sejamos santos e sem defeito
diante dele, no amor.
  Ele nos predestinou para sermos
seus filhos adotivos
por meio de Jesus Cristo,
conforme a benevolência de sua vontade,
  para o louvor da sua glória
e da graça que ele derramou abundantemente sobre nós
por meio de seu Filho querido.
 Por meio do sangue de Cristo é que fomos libertos
e nele nossas faltas foram perdoadas,
conforme a riqueza da sua graça.

Leitura (Verdade)
Vamos ler  com calma e atentamente:

Pedro chegou perto de Jesus e perguntou:
- Senhor, quantas vezes devo perdoar o meu irmão que peca contra mim? Sete vezes?
- Não! - respondeu Jesus. - Você não deve perdoar sete vezes, mas setenta vezes sete. Porque o Reino do Céu é como um rei que resolveu fazer um acerto de contas com os seus empregados. Logo no começo trouxeram um que lhe devia milhões de moedas de prata. Mas o empregado não tinha dinheiro para pagar. Então, para pagar a dívida, o seu patrão, o rei, ordenou que fossem vendidos como escravos o empregado, a sua esposa e os seus filhos e que fosse vendido também tudo o que ele possuía. Mas o empregado se ajoelhou diante do patrão e pediu: "Tenha paciência comigo, e eu pagarei tudo ao senhor."
- O patrão teve pena dele, perdoou a dívida e deixou que ele fosse embora. O empregado saiu e encontrou um dos seus companheiros de trabalho que lhe devia cem moedas de prata. Ele pegou esse companheiro pelo pescoço e começou a sacudi-lo, dizendo: "Pague o que me deve!"
- Então o seu companheiro se ajoelhou e pediu: "Tenha paciência comigo, e eu lhe pagarei tudo."
- Mas ele não concordou. Pelo contrário, mandou pôr o outro na cadeia até que pagasse a dívida. Quando os outros empregados viram o que havia acontecido, ficaram revoltados e foram contar tudo ao patrão. Aí o patrão chamou aquele empregado e disse: "Empregado miserável! Você me pediu, e por isso eu perdoei tudo o que você me devia. Portanto, você deveria ter pena do seu companheiro, como eu tive pena de você."
- O patrão ficou com muita raiva e mandou o empregado para a cadeia a fim de ser castigado até que pagasse toda a dívida.
E Jesus terminou, dizendo:
- É isso o que o meu Pai, que está no céu, vai fazer com vocês se cada um não perdoar sinceramente o seu irmão.

Refletindo
À pergunta de Pedro: “Senhor, quantas vezes devo perdoar o meu irmão que peca contra mim? Sete vezes? “ Jesus disse que não só sete vezes, mas setenta vezes sete. Ou seja, na comunidade dos seguidores de Jesus não existe limite para o perdão. “Setenta vezes sete” quer dizer, sempre! A história que Jesus conta em seguida é para lembrar que também nós precisamos de perdão, também nós somos perdoados, por isso, devemos perdoar sempre.
Para Jesus perdão é uma forma de amor, um amor que acolhe o outro na sua fragilidade.
O perdão é o superlativo do amor.
O perdão “inventa” uma atitude não descrita em nenhum manual de comportamento. Ele quebra a lógica do “olho por olho, dente por dente”. E é como pecadores que somos chamados a perdoar e não, como justos. 
O perdão abre uma porta para a vida, num mundo fechado em dores e sentimentos feridos.
O perdão é um ato de fé na bondade fundamental do ser humano.
Quem perdoou verdadeiramente, o fez porque se encontrou com a fonte da vida e da reconciliação. Foi conduzido por uma sede imensa que o levou ao mais profundo do seu coração. Tudo é possível quando buscamos em nome de Jesus. 

Meditação (Caminho)

- O que a Palavra diz para nós? 
O Evangelho de hoje me questiona profundamente, sobretudo a dificuldade de perdoar. Devo me lembrar de que o perdão mede a minha fé no nome de Jesus e a capacidade de amar. Preciso estar movido pela fé, em comunicação com Deus, dizendo-lhe o tamanho de minha cruz. É preciso dizer a Ele que precisamos de uma luz. E Ele nos ouve.  Em nome de Jesus nos vemos a luz. Só Ele nos faz compreender o sentido do perdão. De Deus nos vem a luz e a paz. Vem a força para levar a nossa cruz, para perdoar, para amar.

Meditando com a Igreja
Disseram os bispos, na Conferência de Aparecida: “A Igreja, sacramento de reconciliação e de paz, deseja que os discípulos e missionários de Cristo sejam também, ali mesmo onde se encontrem, “construtores de paz” entre os povos e nações de nosso Continente. A Igreja é chamada a ser uma escola permanente de verdade e de justiça, de perdão e de reconciliação para construir uma paz autêntica” (DAp 542).

O Papa Francisco explicava que, na Parábola, encontramos duas atitudes diferentes: a de Deus - representado pelo rei, que perdoa tanto, porque Deus perdoa sempre - e a do homem:
“No comportamento divino, a justiça é permeada pela misericórdia, enquanto o comportamento humano se limita à justiça. Jesus exorta-nos a abrirmo-nos com coragem ao poder do perdão, porque nem tudo na vida se resolve com a justiça, sabemos disso.”

 Oração (Vida) 
Sem perdão não há mudança. Deus, que sabe perdoar, pode nos ajudar. Converte meu coração, Senhor. Peçamos a Deus.
Salmo 24
Mostrai-me, Senhor, vossos caminhos,
e fazei-me conhecer a vossa estrada!
Vossa verdade me oriente e me conduza,
porque sois o Deus da minha salvação.
Recordai, Senhor Deus,
vossa ternura e vossa compaixão que são eternas.
De mim lembrai-vos, porque
sois misericórdia e sois bondade sem limites, ó Senhor!


 Contemplação (Vida/ Missão)
- Qual o nosso novo olhar a partir da Palavra?
Queremos hoje ter um olhar de amor que tudo perdoa, tudo desculpa, tudo crê! A Palavra de Deus nos oferece seis motivos 
para perdoar sempre:
1. Deus perdoa (Ef 4,32)
2. Perdão traz libertação (Sl 32,1)
3. Quem ama perdoa (1Pd 4,8)
4. Quem é perdoado ama (Lc 7,47)
5. Perdão não tem limites (Mt 18,21ss)
6. Perdão gera mais perdão (Mt 6,14)
 Peçamos a graça de perdoar
BÊNÇÃO  
Senhor, nosso Deus, concedei-nos  a graça da conversão e da reconciliação por meio da oração, da penitencia e da caridade. Dai-nos a graça de aprender convosco a  ser livres para amar, acolhendo a vida como dom e compromisso, valorizando e defendendo a vida, especialmente onde ela se encontra mais fragilizada e sofrida. Isto vos pedimos, em nome do Pai, e do Filho e do Espirito Santo. Amém.


Ir. Patricia Silva, fsp






segunda-feira, 9 de março de 2026

Lc 4,24-30 - Jesus na sinagoga de Nazaré e entre nós

LEITURA ORANTE



Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Creio, Senhor Jesus, que sou parte de seu Corpo,
membro da Igreja viva.
Trindade Santíssima
- Pai, Filho, Espírito Santo -
presente e atuante na Igreja e na profundidade do meu ser.
Eu vos adoro, amo e agradeço. 

1. Leitura (Verdade)
- Vejamos o que nos diz agora, o texto Lc 4,24-30

Jesus, vindo a Nazaré, disse ao povo na sinagoga: 24“Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. 27 E no tempo do profeta Eliseu havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio”. 28Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até o alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. 30Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.

As palavras de Jesus na sinagoga de Nazaré nos questionam também hoje.
Os ouvintes de Jesus entenderam que teriam que mudar, se transformar. Eles estavam tranquilos até então. Na verdade, os moradores de Nazaré estavam fechados  e nos oferecem uma  imagem daquilo que com frequência, também nós vivemos: fazemos julgamentos, somos preconceituosos, intolerantes a quem pensa diferente, sente e vive de maneira diferente.
As palavras de Jesus na sinagoga de Nazaré nos questionam também hoje. Para 

2. Meditação(Caminho)
- O que a Palavra diz para nós?
que vivemos? Para quem vivemos? Nossa maneira de viver é provocativa ou inspiradora?
A incredulidade provocou o ensinamento de Jesus. Este, por sua vez, incomodou, quando disse: "Eu afirmo a vocês que isto é verdade: nenhum profeta é bem recebido na sua própria terra". E ali, em sua terra natal, é rejeitado. Inclusive, é expulso da cidade e tentam matá-lo.
Infelizmente, como no tempo de Jesus, também entre nós, existem estas atitudes ásperas de julgamento, indiferença, preconceito e intolerância.
Hoje, encontramos atitudes de soberba disfarçada de verdade, o conservadorismo farisaico que provoca distâncias, o medo camuflado de firmeza, as inseguranças, julgamentos   alimentando divisões. Estas atitudes nunca deixam espaço para o novo, o "aggiornamento" (atualização) como dizia São João XXIII. A renovação torna-se impossível. Nesses ambientes  prevalecem o fundamentalismo, o moralismo, o legalismo... Nem o Espírito Santo tem espaço para atuar e inspirar "palavras de vida".
Jesus foi deletado da sua comunidade porque quis pensar e agir de maneira diferente. Seu anúncio  e suas opções rompiam com os esquemas mentais arcaicos e petrificados, enrijecidos. A rejeição pelos conterrâneos, que deveriam acolhê-lo por primeiro, fez com que Jesus se dirigisse a outras pessoas que queriam ouvi-lo e viver sua proposta. Uma pergunta que podemos nos fazer: Estamos entre os conterrâneos de Jesus ou entre as "outras pessoas"?

O papa Francisco falava de um mundanismo espiritual na Evangelii gaudium:
"O mundanismo espiritual, que se esconde por detrás de aparências de religiosidade e até mesmo de amor à Igreja, é buscar, em vez da glória do Senhor, a glória humana e o bem-estar pessoal." (EG 93).

É uma tremenda corrupção, com aparências de bem. Devemos evitá-lo, pondo a Igreja em movimento de saída de si mesma, de missão centrada em Jesus Cristo, de entrega aos pobres. (EG 97)

3. Oração (Vida)
- O que a Palavra nos leva a dizer a Deus?
Façamo-nos agora, presentes na sinagoga de Nazaré. Deixemo-nos envolver pela presença de Jesus.
Rezemos:

Deus, nosso Pai, fonte da vida e princípio do bem viver,
criastes o ser humano e lhe confiastes o mundo como um jardim a ser cultivado com amor.

Dai-nos um coração acolhedor para assumir a vida como dom e compromisso.

Abri nossos olhos para ver as necessidades dos nossos irmãos e irmãs,
sobretudo dos mais pobres e marginalizados.

Ensinai-nos a sentir verdadeira compaixão expressa no cuidado fraterno,
próprio de quem reconhece no próximo o rosto do vosso Filho.

Inspirai-nos palavras e ações para sermos construtores de uma nova sociedade,
reconciliada no amor.

4. Contemplação(Vida/ Missão)
- Qual o nosso novo olhar a partir da Palavra?
Hoje, na Sinagoga, com Jesus, temos o coração aberto ao verdadeiro amor, abraçamos a proposta de Jesus , e para sermos fieis, recebemos  a bênção.

Bênção 
Senhor, nosso Deus, concedei-nos nesta quaresma a graça da conversão e da reconciliação por meio da oração, da penitencia e da caridade. Dai-nos a graça de aprender convosco a  ser livres para amar, acolhendo a vida como dom e compromisso, valorizando e defendendo a vida, especialmente onde ela se encontra mais fragilizada e sofrida. Isto vos pedimos, em nome do Pai, e do Filho e do Espirito Santo. Amém.





sábado, 7 de março de 2026

Jo 4,5-42 - Deus tem sede do nosso amor - 3° DOMINGO da Quaresma - 8/02/2026

LEITURA ORANTE

Caminhemos passo a passo com Jesus.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Creio, Senhor Jesus, que sou parte de seu Corpo,
membro da Igreja viva.

Trindade Santíssima
- Pai, Filho, Espírito Santo -
presente e atuante na Igreja e na profundidade do meu ser.
Eu vos adoro, amo e agradeço. 

1. Leitura (Verdade) -
O que a Palavra diz?
O tempo quaresmal possibilita que redescubramos as profundezas de nós mesmos, as coisas ocultas no nosso interior, para melhor nos conhecermos , crescer e construir  novos modos de nos relacionar conosco mesmos, com os outros, com as criaturas e com Deus.
Este tempo revela por um lado, a realidade interna, machucada, ferida, obscurecida, e de outro, um potencial, um dinamismo, um "poço" de possibilidades, um conjunto de forças positivas. São como que dois rostos do nosso coração.

Assim, vamos ler atentamente o texto de hoje,  na minha Bíblia : Jo 4,5-42.
Chegou, pois, a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto da propriedade que Jacó tinha dado a seu filho José. Havia ali a fonte de Jacó. Jesus, cansado da viagem, sentou-se junto à fonte. Era por volta do meio-dia. Veio uma mulher da Samaria buscar água. Jesus lhe disse: "Dá-me de beber!" Os seus discípulos tinham ido à cidade comprar algo para comer. A samaritana disse a Jesus: "Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?" De fato, os judeus não se relacionam com os samaritanos. Jesus respondeu: "Se conhecesses o dom de Deus e quem é aquele que te diz: 'Dá-me de beber', tu lhe pedirias, e ele te daria água viva". A mulher disse: "Senhor, não tens sequer um balde, e o poço é fundo; de onde tens essa água viva? Serás maior que nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual bebeu ele mesmo, como também seus filhos e seus animais?" Jesus respondeu: "Todo o que beber desta água, terá sede de novo; mas quem beber da água que eu darei, nunca mais terá sede, porque a água que eu darei se tornará nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna". A mulher disse então a Jesus: "Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem tenha de vir aqui tirar água"... Senhor, vejo que és um profeta! Os nossos pais adoraram sobre esta montanha, mas vós dizeis que em Jerusalém está o lugar em que se deve adorar". Jesus lhe respondeu: "Mulher, acredita-me: vem a hora em que nem nesta montanha, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. Estes são os adoradores que o Pai procura. Deus é Espírito, e os que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade". A mulher disse-lhe: "Eu sei que virá o Messias (isto é, o Cristo); quando ele vier, nos fará conhecer todas as coisas". Jesus lhe disse: "Sou eu, que estou falando contigo".... Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus por causa da palavra da mulher que testemunhava: "Ele me disse tudo o que eu fiz". Os samaritanos foram a ele e pediram que permanecesse com eles; e ele permaneceu lá dois dias. Muitos outros ainda creram por causa da palavra dele, e até disseram à mulher: "Já não é por causa daquilo que contaste que cremos, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo".

Refletindo
Neste  encontro,  Jesus conversa com uma mulher da Samaria. Ela própria se surpreende, porque os judeus não falavam com os samaritanos, a quem tratavam com hostilidade. O maravilhoso diálogo se desenvolve num jogo de pedir e recusar para chegar ao grandioso "dom de Deus". Falam de água do poço e da água viva, falam da vida familiar, falam da salvação, de culto, até que Jesus se apresenta claramente: "O Messias sou eu que estou falando contigo". Chegaram os discípulos e a mulher foi dizer aos seus vizinhos que encontrara o Messias. Com seu testemunho e também porque escutaram o Mestre, muitos creram nele.
Musica 2: Água viva - Pe. Zezinho, scj


2. Meditação (Caminho)
- O que a Palavra diz para nós?
Como são nossos diálogos com Jesus?

Jesus é a presença que permitiu à samaritana e permite a cada um de nós acesso à água viva, no próprio interior, como uma fonte que brota incessantemente.
O encontro com Jesus fez a samaritana viver uma verdadeira "páscoa" passando de uma vida rotineira e dispersa à responsabilidade de anunciar aos outros Aquele com quem se encontrou.. A samaritana  foi conduzida à sua interioridade por meio de um processo que a fez passar da dispersão à unificação, da exterioridade à unidade, da solidão à comunhão com os outros. 
Vamos agora, a partir do encontro de Jesus com a samaritana, nos abrir à nossa interioridade que pouco conhecemos, pois, nem sempre nos permitimos entrar nela e, inclusive poucas vezes temos alguma consciência de que ela existe, não é? E é a mais profunda, valiosa e autêntica expressão de nossa vida.
Nosso crescimento pessoal só é possível quando nos nutrimos da água do nosso próprio poço. Este poço é o lugar de nossos melhores recursos, dons, qualidades, potencialidades que dão sabor à nossa vida e nos transforma em pessoa para os demais.
Muitas vezes nossas sedes, desejos, sonhos não encontram canais amplos para jorrar. E então, se atrofiam, permanecendo reféns de uma triste mediocridade, matando nossa criatividade. Se não há paixão naquilo que fazemos tudo vira rotina, sem compromisso. Meditando
Os bispos, na Conferência de Aparecida, disseram:
"A admiração pela pessoa de Jesus, seu chamado e seu olhar de amor despertam uma resposta consciente e livre desde o mais íntimo do coração do discípulo, uma adesão de toda sua pessoa ao saber que Cristo o chama por seu nome (cf. Jo 10,3). É um “sim” que compromete radicalmente a liberdade do discípulo a se entregar a Jesus, Caminho, Verdade e Vida (cf. Jo 14,6). É uma resposta de amor a quem o amou primeiro “até o extremo” (cf. Jo 13,1). A resposta do discípulo amadurece neste amor de Jesus: “Te seguirei por onde quer que vás” (Lc 9,57)." (DAp 136).
3. Oração (Vida)
- O que a Palavra me leva a dizer a Deus? 

Bendito sejas, Senhor Jesus, 
Tu o Messias, o Salvador do mundo, 
porque nos revelas a água viva da tua presença 
e nos levas a adorar o Pai no Espírito e em verdade. 
Bendito sejas pela água do Batismo.
Faze com que tenhamos sempre  sede de Te conhecer!
 
4. Contemplação(Vida/ Missão)
- Qual o nosso novo olhar a partir da Palavra?
Nosso olhar de contemplação é motivado pelo nosso viver a fundo, não perdendo a capacidade de amar. de vibrar, de buscar a água que mata a sede. 

Bênção
Que Deus abençoe este meu propósito. 

Senhor, nosso Deus, concedei-nos nesta quaresma a graça da conversão e da reconciliação por meio da oração, da penitencia e da caridade. Dai-nos a graça de aprender convosco a  ser livres para amar, acolhendo a vida como dom e compromisso, valorizando e defendendo a vida, especialmente onde ela se encontra mais fragilizada e sofrida. Isto vos pedimos, em nome do Pai, e do Filho e do Espirito Santo. Amém.





Lc 15, 1-3.11-32 – O pai misericordioso

LEITURA ORANTE

Rembrant
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Creio, Senhor Jesus, que sou parte de seu Corpo,
membro da Igreja viva.
Trindade Santíssima

- Pai, Filho, Espírito Santo -
presente e atuante na Igreja 
e na profundidade do meu ser.
Eu vos adoro, amo e agradeço. 

Agora, ouçamos o que ele, o Senhor, nos diz


1. LEITURA (VERDADE)
Tomamos um primeiro contato com a Palavra de hoje, lendo Lc 15,1-3.11-32.

Naquele tempo, 1 os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. 2 Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus: “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles”. 3Então, Jesus contou-lhes esta parábola: 11“Um homem tinha dois filhos. 12O filho mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me cabe’. E o pai dividiu os bens entre eles. 13Poucos dias depois, o filho mais novo juntou o que era seu e partiu para um lugar distante. E ali esbanjou tudo numa vida desenfreada. 14Quando tinha gasto tudo o que possuía, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar necessidade. 15Então foi pedir trabalho a um homem do lugar, que o mandou para seu campo cuidar dos porcos. 16O rapaz queria matar a fome com a comida que os porcos comiam, mas nem isso lhe davam. 17Então caiu em si e disse: ‘Quantos empregados do meu pai têm pão com fartura, e eu aqui, morrendo de fome. 18Vou-me embora, vou voltar para meu pai e dizer-lhe: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti; 19já não mereço ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados’. 20Então ele partiu e voltou para seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos. 21O filho, então, lhe disse: ‘Pai, pequei contra Deus e contra ti. Já não mereço ser chamado teu filho’. 22Mas o pai disse aos empregados: ‘Trazei depressa a melhor túnica para vestir meu filho. E colocai um anel no seu dedo e sandálias nos pés. 23Trazei um novilho gordo e matai-o. Vamos fazer um banquete. 24Porque este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festa. 25O filho mais velho estava no campo. Ao voltar, já perto de casa, ouviu música e barulho de dança. 26Então chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo. 27O criado respondeu: ‘É teu irmão que voltou. Teu pai matou o novilho gordo, porque o recuperou com saúde’. 28Mas ele ficou com raiva e não queria entrar. O pai, saindo, insistia com ele. 29Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Eu trabalho para ti há tantos anos, jamais desobedeci a qualquer ordem tua. E tu nunca me deste um cabrito para eu festejar com meus amigos. 30Quando chegou esse teu filho, que esbanjou teus bens com prostitutas, matas para ele o novilho cevado’. 31Então o pai lhe disse: ‘Filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu. 32Mas era preciso festejar e alegrar-nos, porque este teu irmão estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado'”

Refletindo
O filho que se vai é imagem da pessoa que se rebela, que se afasta de Deus. Perde-se, confunde-se, se machuca, sofre, perde o rumo, perde de vista aquele objetivo pelo qual vive. Uma certeza, porém, garante a recuperação da identidade original: o reencontro com o Pai.

2. Meditação(Caminho)
- O que a Palavra diz para mim?

A parábola do filho pródigo não é a história de um filho perdido, é a história de dois filhos perdidos. Um perdido fora de casa, e o outro perdido, dentro de casa, pelo ciúme. Os dois se afastaram do pai.
A volta do filho pródigo expressa em uma obra de arte de Rembrandt, resume a grande luta espiritual e as grandes escolhas que essa luta exige. Ao pintar não somente o filho mais jovem nos braços de seu pai, mas também o filho mais velho que pode aceitar ou não o amor que lhe é oferecido, Rembrandt nos apresenta o "drama interior do ser humano".
Em seu livro sobre a parábola, narrada por Lucas 15, e escrito depois de contemplar a obra de Rembrandt, Henri Nowen se coloca, como o filho pródigo, o mais moço, que esbanjou e perdeu tudo o que tinha, mas que não perdeu a consciência de que ele ainda era filho e tinha um Pai.
Depois disso, o autor se coloca na posição do filho mais velho, o que não saiu de casa, nem aceitou o retorno do irmão.
Nouwen se coloca também na posição do Pai e afirma que essa é a vocação de todos nós. Vocação a acolher, perdoar e se alegrar pela volta do que se perdera .

Jesus não fala nunca de um Deus indiferente ou distante, esquecido de suas criaturas ou interessado por sua honra, sua glória ou seus direitos.  No centro de sua experiência religiosa não nos encontramos com um Deus “legislador” procurando governar o mundo por meio de leis, nem com um Deus “justiceiro”, irritado ou irado diante dos pecados dos seus filhos e filhas. Para Jesus, Deus é compaixão, e a compaixão é o modo de ser de Deus, sua primeira reação diante de suas criaturas, sua maneira de ver a vida e de olhar às pessoas, o que move e dirige toda sua atuação. Deus sente para com suas criaturas o que uma mãe sente para com o filho que leva em seu ventre. Deus nos carrega em suas entranhas misericordiosas. 

A compreensão da “parábola do amor paterno-materno de Deus” pode ser para nós uma verdadeira iluminação. Ela revela não só o “coração compassivo” de Deus, mas também vemos, refletida nela, de maneira sublime, tudo o que devemos aprender sobre o “falso eu” e o nosso verdadeiro ser. Os três personagens representam diferentes aspectos de nós mesmos. (Comentários do Pe. Adroaldo, sj).

3. Oração (Vida)
O que a Palavra nos leva a dizer a Deus?
“Eu e o Pai somos Um”: é a melhor expressão de quem foi Jesus.

Você também é “Um com Deus”, mas talvez não tenha se inteirado disto; descubra-o e esta frase saltará do mais profundo do seu ser.

- Descubra o que há em você do irmão mais novo: deixar-se levar pelo hedonismo individualista, buscar o mais fácil, o mais cômodo, o que o corpo pede... Seu objetivo é satisfazer as exigências de seu falso “eu”.

- Descubra o que há em você de irmão mais velho: distante do coração do pai, fechado na queixa amarga e incapaz de expressar um gesto de acolhida.
 Descubra as marcas do Deus Pai/Mãe nas profundezas de seu ser: cheio de compaixão, festeiro, aberto à vida... 
E rezemos: 
Pai Nosso

Música: O viajante - Pe. Zezinho, scj

(Padre Giosy Cento | Versão: Padre Zezinho, scj)
Padre Zezinho, scj

O viajante
Eu tinha tanta fome de ir embora
Pra ver a vida como a vida era
Pra aquele teu conselho eu não liguei
E agora eu vejo quanto me enganei

Manda me um bilhete de regresso
Ou venha me buscar, não ando bem
Pensei que abandonar-te era progresso
Mas sem o teu amor não sou ninguém

Peguei a minha herança e fui embora
De todos os manjares eu provei
Não houve nada que eu não fiz lá fora
Mas nem por isso eu me realizei

Dinheiro, amores, drogas, malandragem
Eu tinha tudo isso e muito mais
Gastei a minha herança na viagem
Eu comprei a vida mas não tenho paz

Vi a vida como a vida era
E vi que a vida, às vezes, dói demais
Viver sem teu amor é uma quimera
Eu volto a ser teu filho pra ter paz

Aos poucos eu ensaio aquele abraço
Que um filho arrependido dá no pai
Na hora que eu voltar ao teu regaço
Eu juro que não saio nunca mais


4. Contemplação(Vida/ Missão)
- Qual o nosso novo olhar a partir da Palavra?
Vamos olhar o mundo, hoje, com o olhar amoroso e misericordioso do Pai, sempre pronto a acolher. E também com a disposição do filho reencontrado.
Para nos fortificar nesta mudança de vida e assumirmos a defesa da vida, recebamos a bênção.

Bênção  

Senhor, nosso Deus, concedei-nos nesta quaresma a graça da conversão e da reconciliação por meio da oração, da penitencia e da caridade. Dai-nos a graça de aprender convosco a  ser livres para amar, acolhendo a vida como dom e compromisso, valorizando e defendendo a vida, especialmente onde ela se encontra mais fragilizada e sofrida. Isto vos pedimos, em nome do Pai, e do Filho e do Espirito Santo. Amém.



Ir. Patrícia Silva, fsp